28/10/2026

Minha relação com a França e o francês


 Minha relação com a França e com a língua francesa começou ainda nos anos de estudo. Foi no Colégio São Bento que comecei a aprender francês, sem imaginar que aquele primeiro contato me acompanharia por tantos caminhos. Minha primeira viagem a Paris foi com minha mãe, Vera, e meu irmão, Tales, quando nos mudamos para morar na Argélia. A mudança abriu um novo capítulo da minha vida e estreitou meu contato com a língua e a cultura francesas. Em Argel, estudei no Lycée Descartes e na École Châteauneuf. O Lycée Descartes era uma verdadeira ONU: reunia alunos de diferentes partes do mundo e me permitiu conviver, desde cedo, com uma diversidade de experiências, culturas e maneiras de pensar. A leitura e a discussão eram incentivadas, e lembro também das peças teatrais de Brecht e Neruda em que atuei. Minha visão democrática do mundo tem raízes nessa convivência e na possibilidade de conhecer de perto tantas diferenças. Aprendi que ouvir, ler, discutir e dividir o mesmo espaço com pessoas de origens diversas alarga nossa maneira de compreender o mundo. Essa diversidade, que conheci na juventude, me acompanha até hoje.


Entre essas lembranças, Lignières, no Berry, na França, ocupa um lugar muito especial. Guardo com carinho as férias que passava naquela localidade, na bonita casa da família Galland, onde todos os familiares se reuniam. O pai da família, um grande professor e intelectual, nos levava para passeios pelos arredores. Também me recordo das conversas que tivemos com ele, sempre tão estimulantes, e da curiosidade com que eu observava os lugares e as pessoas ao meu redor. Foi ali que vivi outra lembrança marcante: Mina, uma de minhas primeiras namoradas. A memória daquele tempo reúne a descoberta da França e as descobertas próprias da juventude. Quando penso em Lignières, não me vêm à lembrança apenas uma casa ou uma paisagem, mas também o convívio, as conversas, os afetos e a sensação de estar vivendo uma etapa importante da vida.

Mais tarde, no Porto, formei-me como professor de francês. Essa escolha deu um novo sentido à relação que eu já tinha com a língua: o francês passou a fazer parte também da minha trajetória profissional e da maneira como eu podia compartilhar conhecimentos com outras pessoas. Guardei o francês como uma língua materna e o domino até hoje. Sempre que posso, leio em francês, vejo filmes nesse idioma e me encanto com os canais de televisão franceses que consigo acompanhar no Brasil. No Institut Français, lembro com carinho de uma professora especial, Madame Poisson Coutinho. Uma vez, viajei de carro do Porto à França com ela, seu marido e seu filho. Essa viagem permanece entre minhas recordações queridas, porque reuniu a língua, a amizade e a possibilidade de atravessar paisagens e lugares acompanhado de pessoas que fizeram parte da minha formação. Ao longo dos anos, as inúmeras viagens a Paris ampliaram ainda mais minha relação com o país. De Paris, parti para conhecer outras regiões e me maravilhar com a diversidade natural e cultural francesa. Também me encantavam os diferentes sotaques, que revelavam a riqueza e a variedade de cada região.

Alguns encontros também se tornaram parte inseparável dessa história. Foi por intermédio de Leila, sobrinha de Madame Gherab, que conheci Madame Gherab e sua filha Laurence. Dessa aproximação nasceu uma amizade que guardo com carinho e que ocupa um lugar especial entre minhas lembranças francesas. Ao recordar essas pessoas e os lugares por onde passei, percebo que minha relação com a França foi sendo construída nas salas de aula, nas viagens, nas experiências culturais e nos vínculos afetivos. O Colégio São Bento, Argel, o Lycée Descartes, a École Châteauneuf, Lignières, no Berry, o Porto, Paris e as muitas regiões francesas compõem uma geografia de aprendizado, descoberta e amizade. Em cada etapa, o francês esteve presente de uma maneira própria: primeiro como aprendizado, depois como instrumento de formação e trabalho, e sempre como uma ponte para pessoas, lugares e culturas. Hoje, vejo essa trajetória como uma narrativa que continua comigo. A França deixou de ser apenas um país distante para se tornar parte da minha história e da diversidade que aprendi a valorizar.

13/10/2026

A experiência Vip no FlaX Flu no Maracanã

 Há partidas que começam muito antes do apito inicial. O Fla-Flu é uma delas. A rivalidade entre Flamengo e Fluminense faz parte da memória afetiva do Rio e transforma cada encontro no Maracanã em um acontecimento que ultrapassa as quatro linhas. Mesmo quem acompanha o futebol de longe reconhece a força desse clássico, feito de história, expectativa e paixão.

A convite da JPL, de Michel Massena, vivi essa experiência com uma acolhida especial. O cuidado começou ainda na véspera do jogo, quando a gerente geral da empresa entrou em contato conosco e enviou as informações sobre o guia e o motorista que nos acompanhariam. No dia do evento, um grupo de WhatsApp facilitou a comunicação e a interação com a equipe. Essa organização prévia trouxe tranquilidade e mostrou que a experiência estava sendo pensada desde antes da nossa chegada ao Maracanã.

O acesso às cadeiras cativas e ao Maracanã Club permitiu acompanhar a partida com conforto e atenção a cada detalhe. O transporte em carro de luxo, com motorista e guia, completou o percurso com tranquilidade e tornou a chegada ao estádio parte do próprio programa.

O guia de turismo que nos acompanhou, Marcelo Cunto, de origem italiana, teve papel importante nessa vivência. Com simpatia e conhecimento, compartilhou inúmeros detalhes sobre o Maracanã, sua história e a importância do estádio para o Rio e para o futebol brasileiro. Suas explicações deram mais contexto ao que víamos e tornaram a experiência mais palpável e enriquecedora.

Marcelo também nos ajudou a resolver um imprevisto. Eu havia levado um aparelho fotográfico, mas não foi permitido entrar com ele no estádio. Ainda bem que o guia estava conosco: Marcelo voltou ao carro e guardou o equipamento, permitindo que seguíssemos para o jogo sem essa preocupação. Foi um gesto simples, mas que demonstra como a presença de alguém experiente e atencioso pode fazer diferença em um passeio.

Devo confessar: como tricolor, vivi o clássico com muita emoção e vibração positiva. O Fluminense acabou derrotado por 1 a 0, resultado que naturalmente não era o que eu desejava. Ainda assim, a experiência não se resumiu ao placar. Torcer é também se envolver, vibrar a cada lance, sentir a energia das arquibancadas e permanecer ligado ao time até o apito final. Saí com a intensidade de quem viveu o jogo por dentro e com a alegria de ter participado de uma ocasião tão especial.

Em uma cidade que respira futebol, o caminho até o Maracanã já anuncia o que está por vir. A movimentação nas ruas, as camisas dos dois clubes e as conversas sobre a partida criam uma atmosfera própria. Há quem relembre jogos históricos, quem faça previsões e quem simplesmente se deixe levar pela expectativa. O clássico mobiliza torcedores e curiosos, reúne gerações e reafirma o lugar do futebol na cultura carioca.

Dentro do estádio, essa energia ganha outra dimensão. Os cantos, as bandeiras, as provocações bem-humoradas e a vibração a cada lance compõem uma cena que só o Maracanã consegue oferecer. O futebol é disputa e resultado, mas também encontro, convivência e lembrança. Em um Fla-Flu, cada momento parece carregar um pouco da história de uma rivalidade que segue renovando sua capacidade de emocionar.

A estrutura oferecida valorizou ainda mais a ocasião. As cadeiras cativas proporcionaram uma visão privilegiada do campo, enquanto o Maracanã Club tornou possível desfrutar do ambiente do estádio com comodidade. São cuidados que fazem diferença, sobretudo em um clássico de grande procura, e que permitem aproveitar a experiência com mais tranquilidade, da chegada ao retorno.

O transporte com motorista e guia também merece destaque. Em dias de jogo, a organização do deslocamento ajuda a reduzir preocupações e permite que o visitante se concentre no que importa: viver a partida e observar a cidade em movimento. A atenção aos detalhes demonstra que uma boa experiência não se resume ao momento dentro do estádio; ela começa no contato prévio, acompanha o convidado durante o percurso e permanece na memória.

Fica meu agradecimento muito especial a Michel Massena, da JPL, que nos convidou para viver esse Fla-Flu e proporcionou uma experiência tão bem cuidada. Agradeço também à gerente geral da empresa pela organização e pelas informações enviadas antes do evento, a Marcelo Cunto, pelas explicações, pela atenção e pela ajuda com o aparelho fotográfico, e ao motorista que nos conduziu com segurança e conforto. Cada um contribuiu, à sua maneira, para que o passeio fosse mais tranquilo e enriquecedor. No Rio, receber bem também é uma forma de apresentar a cidade: com organização, hospitalidade e experiências que revelam seus muitos encantos.

O Fla-Flu terminou com a vitória rubro-negra por 1 a 0, mas a lembrança que levo vai além do placar. Levo a emoção de torcer pelo meu Fluminense, a vibração positiva de uma noite de clássico, a história do Maracanã apresentada por quem conhece o turismo e a cidade, e a satisfação de ter sido recebido com tanta atenção. Às vezes, o resultado não acompanha a nossa torcida; ainda assim, a experiência pode ser inesquecível. Nesse Fla-Flu, foi exatamente assim.


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